Arquivo da categoria: As Burrices

Causos da Idiotilde.

Se conselho fosse bom…

Se conselho fosse bom…

Publicar um livro e escrever em um site sobre relacionamentos amorosos faz com que muita gente pergunte o que fazer e, sem coragem de falar que não sei, tento dizer coisas que prestem. Respondo com educação, tenho paciência para ouvir as histórias, me solidarizo com as experiências das pessoas e, muitas vezes, repenso minhas próprias escolhas, porque burralda inteligente aprende também com os erros dos outros. Sinto-me cada dia menos capaz de dar uma opinião decente sobre a vida amorosa das pessoas, mas se me perguntam eu dou. Sei que não vai servir para nada, que não há receita de bolo, que não existe fórmula do amor, mas, quem mandou me perguntar? Geralmente são as mesmas perguntas, que vou compartilhar:

Dei para o cara na primeira noite e estou esperando um telefonema.
Eu acho que não adianta posar de “moderninha” se vai ficar se martirizando no dia seguinte, toda culpada, se perguntando o que o dito cujo vai pensar a seu respeito. Se já deu, chorar o leite (ops!) derramado não vai resolver coisa alguma. É esperar. Pode sim, ser mais do que um sexo casual, mas a probabilidade é que seja exatamente isso. Usou camisinha? Foi bom para você? Então vamos encerrar o assunto.

Estou apaixonada pelo namorado da minha amiga.
Tem mulher que se interessa SÓ pelo namorado dos outros. Fura olho é raça triste! Mas ninguém está livre de achar a grama do vizinho mais verde uma vez na vida. E se chegou a sua vez, fazer o que? Faça o seguinte: finja que o gostosão (vai ver o cara nem é gostoso nada e ainda tem pau pequeno!) é mulher. Não caia na tentação de dar para ele. Cafajeste ele, safada você. Uma amizade tem que ser mais valiosa que um pau.

Descobri que fui traída, devo perdoar?
O que toda corna quer ouvir é que foi só uma aventura, que ele a ama,que foi uma atitude impensada,que foi uma noite e nada mais, que homem é tudo igual, que todos traem, que homem sabe separar amor de sexo. Além disso, toda corna pergunta se você já foi traída e perdoou o cafa – isso abre precedente para que ela perdoe o dela.

Ele é mais novo, e agora?
Não entendo o medo que as mulheres têm em se relacionar com um cara mais novo. Homens mais novos são mais cabeça aberta, têm mais vigor físico, são menos machistas. Vai se preocupar agora se daqui a uns anos ele vai trocá-la por uma mais nova? Não vale a pena sofrer com antecedência. Se o problema é a maturidade, bem…acho mesmo que isso não tem a ver com idade. O que mais vejo por aí é velho babão se achando garotão (até rimou!). Pelo menos o seu é garotão mesmo. Que fique claro: estou defendendo o relacionamento com homens mais novos, não com crianças. Pedofilia é CRIME.

Meu amor mora em outro Estado, devo insistir?
As mais otimistas, incluindo a burralda que vos fala, vai afirmar que para o amor não há distância. Existe telefone, existe MSN, existe Orkut, existe twitter, existe ponte-aérea. Mas eu acho mesmo que nada substitui o dia a dia, a convivência, o cotidiano. Então, o que dizer? Se você é rica, nem pense duas vezes, deve ser ótimo ficar passeando de um lugar a outro, dormir em hotéis diferentes, marcar encontro em lugares badalados e pontos turísticos mundo afora. Agora, se for pobre…uma hora terá que escolher onde fincar os pés. Ou, imagino, esse relacionamento vai colocar a sua conta bancária no negativo.

Ele é casado, o que eu faço?
Que essa é uma roubada federal toda mulher sabe – e deveria correr de um homem desse mais do que maratonista queniano em corrida de São Silvestre, mas…quando uma burralda apaixonada faz uma pergunta dessas quer ouvir, simplesmente, “logo ele separa da mulher para ficar com você.” Pode até acontecer, claro. Nesse mundo acontece de tudo. Mas vale ficar esperando? Até quando? E você confiaria em um homem que traia a mulher com você? É claro que ele vai te trair com outra.

De tudo que este site me proporcionou até hoje essa é, sem dúvida, a melhor: poder me aproximar das pessoas através de suas histórias. Pessoas que sofrem, amam, acreditam, se iludem, esperam, confiam. Pessoas que me fazem repensar minhas burrices. Pessoas que me permitem pensar sobre as burrices delas. Algumas tão parecidas comigo. Outras tão diferentes de mim. 

Por que estou dizendo tudo isso? Porque o ano está chegando ao fim e um outro, novinho em folha, está chegando. O que significa que a vida está nos dando mais uma oportunidade de repensar nossas escolhas – inclusive amorosas - e começar tudo de novo, então…

Feliz Ano Novo!

Lidando com o passado dele

Lidando com o passado dele

Finalmente você conheceu um homem interessante, que fez seu coração bater mais forte, e engataram um romance. Fazem juras de amor, viajam, dormem um na casa do outro, fazem planos para o futuro. É ele o dono do seu coração. E você do dele. Como não são mais crianças, este não é o primeiro relacionamento de vocês. Cada um tem a sua história. Cada um tem um passado. Mulher inteligente, adulta e madura que é, você sabe disso. E respeita.

Tudo parece perfeito, até que as catacumbas começam a ser abrir e as falecidas dele ressurgem das cinzas. Elas deixam recadinhos no Orkut, mandam mensagens no twitter e, pior, ligam para falar nada sobre coisa alguma. Então, o que fazer?

Existem vários tipos de ex:

A barraqueira: ela não se conforma com o fim do namoro e, além de infernizar a vida dele, inferniza também a sua mandando e-mails, ligando, enviando torpedos ou falando mal de você para deus e o mundo. Não revide. Responder só vai dar mais munição a barraqueira, ou seja, tudo que ela quer.

A amiguinha: liga para o seu namorado, faz convites, quer contar as novidades. Se o amado atende as ligações dela na sua frente e te inclui nos programas, fique tranqüila. Agora, se ele fala com ela às escondidas, orelhas em pé. Algo de estranho tem aí.

A mãe dos filhos dele: ninguém, em sã consciência, quer ao lado um homem que ignora os próprios filhos. Se ele age de forma negligente com os filhos da ex, não fará diferente com os filhos que tiver com você, concorda? Então, se ele se esforça para ter uma convivência harmoniza com a mãe dos filhos dele, ganhou um ponto. Mas se vivem de tititi como nos tempos que estavam juntos, se ela vive ligando sem necessidade ou surge sem ser convidada, fique alerta.

Independente do tipo de ex, a ex é de quem? Dele. Então cabe a ele colocá-la em seu devido lugar. É ele, e não você, que deve pôr um limite. Tenha certeza de que se ele se posicionar, disser que vive um novo relacionamento, que não a ama mais, uma hora ela vai se encher, cansar e desistir. Como diz o ditado: quando um não quer dois não brigam.

Sou péssima para dar conselhos, mas uma coisa eu vou me permitir dizer: se você está insegura com a presença da ex, exponha. Não precisa bater palma para a maluca dançar, brigar, rodar a baiana, quebrar o seu salto 15 dando chiquilique. Mas permita-se falar abertamente o que incomoda, porque se seu amor sabe e nada faz, sinal que não está tão interessado em manter a relação.

Até agora estou me referindo às exs que se fazem presente, de propósito, quando deveriam ficar no passado, quietinhas. Se só a existência da ex incomoda, sendo que a pobre coitada nem fica ligando, mandando e-mail, fazendo sinal de fumaça, por favor, não dê uma de psicopata armando cenas de ciúme. Pensa bem, maluca aqui é você, não ela.

Como sei que os homens também lêem o Mulé Burra dar um conselho a ala masculina: qualquer mulher sente-se segura e confiante quando o homem que ela escolheu para ser seu é verdadeiro com ela. Se é amigo da ex, por exemplo, fale. Atenda as ligações na frente da atual, inclua a nova mulher nos programas. Se você não quer mesmo nadinha com a ex, por que ficar falando com ela às escondidas? Agora, nunca, em tempo algum, fale da ex. O que faziam, do que ela gostava, aonde iam, não intersssa. A menos que queira mesmo que o relacionamento atual vá por água abaixo.

Para construir um relacionamento maduro cada um deve ser responsável por enterrar seu passado. E apresentar a certidão de óbito. Ninguém, seja homem ou mulher, merece conviver com as assombrações. Do outro.

Eu não queria, mas…

Eu não queria, mas…

Lembro com perfeição do dia em que nos conhecemos (e o achei super sério!), do dia em que esbarramos no banco enquanto íamos pagar contas (cena digna de novela!), do dia em que me convidou para sair (e o achei tão cara de pau!), do dia em que resolvi aceitar seu convite, do dia em saímos pela primeira vez.

Protagonizamos muitas cenas. Lindas, divertidas, alegres, cômicas, inflamadas, românticas, singelas. Só não sei em qual delas eu, tão dona de mim, não resisti e me entreguei. Hoje, aonde quer que eu vá, eu não quero ir sozinha – mesmo que saiba o caminho. E, quando não sei, tenho certeza de que será mais divertido me perder, para logo me encontrar, em sua companhia.

Você fez com que eu perdesse o medo. Medo de me envolver. Medo de amar. Medo de me entregar. Medo de me comprometer. Medo de sofrer. Um monte de “pequenos” medos que juntos, eram um só: medo de viver. Aprendi que evitar a dor e o sofrimento é possível, sim, mas dessa forma evitamos, também, o prazer e a felicidade.

Não sei o momento exato em que meu coração baixou a guarda e isso já não importa. Importa que gosto da sua voz. Das suas palavras. Do seu bom humor. Do seu senso de responsabilidade. Do seu sorriso. Da sua mania de organização. Do seu romantismo nada convencional. Da sua inteligência. Do seu beijo. Dos verbos que conjuga no plural. Da maneira como me acorda. Da forma como trata os amigos. Do modo educado e firme com que fala com as pessoas. Da sua objetividade. Da sua praticidade. Da sua espontaneidade.

Mas sabe do que eu mais gosto? Jura que não vai rir? Eu gosto mesmo é da pessoa que sou quando estou com você. De qualquer jeito. Do jeito que for. Porque você me entende. E me aceita. Bagunçada. Estabanada. Desastrada. Bem humorada. Mal humorada. Tepeêmica. Indecisa. Decidida. Implicante. Animada. Cansada. Preguiçosa. Ignorante. Intelectual. Sensata. Insensata. Equilibrada. Desequilibrada. Alegre. Triste. Menina. Mulher.

Ao seu lado eu posso ser eu mesma. De salto alto, sandálias havainas ou descalça. Penteada ou com cabelos desgrenhados. De biquíni ou vestido longo. Calma ou nervosa. Lendo Saramago ou revista Caras. Falando feito uma louca desvairada ou concentrada feito uma autista. Há maior felicidade de ser quem se é, sem medo de parecer ridículo?

Com você aprendi que não existe tampa da laranja, príncipe encantado, alma gêmea, mas, sim, pessoas que se completam – e se somam. Que decidem estar juntas, acreditam que se relacionar é possível, são verdadeiras com os seus sentimentos e se respeitam.

Por tudo isso, repenso a vida, a maneira como vejo o mundo, o modo com que me relaciono com as pessoas e fico com uma vontade enorme de ser cada dia melhor, porque você merece que eu seja o melhor de mim mesma. O que pode ser isso, se não o amor?

…agora quero cada dia mais!

Talvez eu seja o último romântico

Talvez eu seja o último romântico

Eu acho lindas as cenas de filme em que o galã aparece no primeiro encontro com um buquê de rosas vermelhas gigantesco, surpreende a donzela com uma serenata, enche a amada de jóias, abre a porta do carro, puxa a cadeira para mulher sentar, paga todas as contas. Sempre choro de emoção. Pode ser cena de teatro. De cinema. De novela. De livro. Ou até de propaganda de margarina, não importa. São lindas as cenas de amor.

O problema é que, por mais bonita que seja a ficção, certas cenas perdem a graça quando reproduzidas na vida real. Eu, por exemplo, adoro rosas vermelhas, mas o-d-i-e-i quando recebi um buquê no primeiro encontro. O cara lá, feito um ás de pau, me esperando no portão com um buquê que escondia o seu rosto, toda vizinhança olhando e eu sem saber o que fazer. Soou cafona, ensaiado, premeditado. Isso é ser romântico?

Quando um cara com quem eu saía me levou até um iate todo iluminado, com pétalas de rosas espalhadas eu também achei ridículo. Se até então eu tinha dúvidas de que ele só queria me impressionar, naquele dia tive certeza e não havia pétala de rosa que me fizesse entrar no clima que ele queria. Tudo tem o momento. E a pessoa.

Para mim o romantismo está numa frase falada ao pé do ouvido num momento inusitado, num bilhete escrito num guardanapo, numa rosa em botão entregue durante um beijo, num presente comprado fora de data comemorativa, num torpedo no meio da tarde, num e-mail com aquela poesia linda ou a música que marca a história do casal. Em coisas simples, pequenas, singelas, espontâneas. Em coisas que só os dois são capazes de entender – e ninguém mais.

Achei lindo quando um cara estabanado com quem eu saía fez um escândalo na mesa de bar: “vira o rosto para lá!”. Sem entender, fiz o que pediu e perguntei: “o que você está fazendo?”, “calculando as medidas do seu rosto! Lindo, perfeito, o nariz mais bonito que já vi na vida. Você sabia que 99% das pacientes que chegam ao consultório querem um nariz como o seu?”. Ele é médico. Preciso dizer que foi o elogio mais gostoso que ouvi até hoje?

O romantismo está na surpresa. Nas frases que não costumam ser ditas. Nos gestos que muitos esquecem. No detalhe. No cuidado. Não tem dia, nem hora, nem lugar. “Só liguei para dizer que estou com saudade.” “Lembrei de você durante a viagem e trouxe para você” (Se o presente for um anel de brilhantes eu vou amar, mas se for um chaveiro vou amar do mesmo jeito, porque, na minha cabeça romântica, importa mesmo é ser lembrada).

Nunca irei esquecer do dia em que estava no Mc Donald’s, comendo big Mac, quando meu namorado resolveu atender a ligação no corredor, com a desculpa de que não estava ouvindo nada do que o amigo falava. A tal ligação demorou tanto que eu comi todo meu lanche e já estava saboreando a sobremesa dele, cheia de raiva, quando, ele reapareceu com uma caixa: “é para você.” Ao abrir, uma joia. “comprei para você usar na festa de casamento.” Mais lindo que a joia só mesmo ele ter lembrado a cor da sandália que eu usaria na festa e ter comprado algo que combinasse – sinal que, a todo momento, ouvia o que eu dizia.

Romantismo não está numa suíte de hotel cinco estrelas, em uma viagem de cruzeiro, na formalidade de um elogio, em abrir a porta do carro ou puxar a cadeira em que sento. Embora tudo isso tenha seu charme, se acompanhado do momento certo e da pessoa ideal. O romantismo está no cuidado que dedicamos ao outro, dia após dia, demonstrando o que se sentimos sem vergonha, medo ou vaidade, porque quando gostamos verdadeiramente de alguém, nada é mais valioso que o seu sorriso e a sua felicidade – e não há data marcada para ser feliz.

(Deixa ser pelo coração.)

Quem vê cara…

Quem vê cara…

aids_fita_165x240

O Mulé Burra resolveu fazer uma enquete para concluir o que todo mundo já sabia: poucas são as mulheres que exigem que seus parceiros usem camisinha. Até agora, 80% dos nossos leitores (mais de 700 votos) responderam “sim” à pergunta “Mesmo ciente dos inúmeros riscos, você já transou sem camisinha por estar apaixonado(a)?” Isso, sem dúvida alguma, é uma burrice gigantesca que, acredito, toda mulher, mesmo sendo super inteligente, com Doutorado em Harvard e o diabo a quatro, já cometeu.

Hoje a gente dirige nosso próprio carro, paga contas, vota, trabalha, estuda para caramba, lê de tudo e toma pílula anticoncepcional (viva a revolução sexual!). O mundo mudou muito: se antes nossas avós tinham que casar virgens e não adiantava dar escondido, porque iam engravidar, hoje, até chegar a hora de juntar as escovas de dentes e dividir a cama com alguém, sob o mesmo teto, a gente já compartilhou lençóis com outro parceiro antes. Ou outros. Mas ainda tem vergonha de andar com camisinha na bolsa, de falar abertamente sobre sexo e exigir que o parceiro use camisinha.

Por que tocar nesse assunto agora? Segundo dados do Ministério da Saúde, estima-se que 630 mil pessoas vivem com HIV no país, sendo que 255 mil ainda não sabem, pois nunca fizeram o teste. [Abre parênteses: você já fez o teste? Fecha parênteses.] Isso significa que aquele cara gato, bom de papo, que lhe deixou toda arrepiada falando baixinho no seu ouvido, pode ser soropositivo e não saber.

Só que é aquilo: se o cara não fez questão de usar camisinha com você, talvez não tenha feito questão de usar com as outras, não é verdade? Temos, então, um ambiente muito propício para a disseminação de doenças sexualmente transmissíveis, principalmente a Aids, que não tem cura e mata.

Quem aqui já usou camisinha em todas as relações sexuais que teve até hoje? Não precisa falar em voz alta, responda a você mesmo. Vai ver usou nas relações eventuais, vai ver usou enquanto estava “conhecendo” o companheiro… E provavelmente aboliu depois que o romance deslanchou. Como prova de confiança, talvez. Só que este é outro problema seríssimo, pois mesmo nos relacionamentos estáveis o perigo de ser contaminada é muito grande, já que quando os homens pulam a cerca, geralmente, não usam preservativo.

Eu não estou querendo colocar lenha na fogueira , mas quem nunca ouviu histórias de mulheres que pegaram Aids de seus próprios maridos? O Ministério da Saúde comprova em pesquisa que 21% dos homens traem. E, no calor das emoções, minha filha, além de não lembrar que tem uma Maria lhes esperando em casa, acabam esquecendo da camisinha também. Confesso que meu coração ficou até menorzinho depois de saber disso, mas precisamos encarar a realidade: não usar camisinha, porque a gente ama, confia, está apaixonada e só transa com o companheiro não significa nada (ou quase nada), já que ele pode estar ciscando por aí.

Talvez nada disso seja surpresa para ninguém, porque a gente é inteligente e informada para caramba, mas, então, me diga: por que acreditar que com a gente vai ser diferente se muita gente pensou o mesmo e hoje aumentam os números de infectados mundo afora? Porque toda mulher inteligente torna-se uma “mulé burra” vez ou outra, ou mesmo várias vezes nessa mesma encarnação. É a vida.

Como a gente é segura o bastante e não vai entrar em paranóia se ele está ou não lhe traindo (até porque, se estiver, uma hora vem à tona), não custa cuidar da própria saúde e exigir que ele use preservativo. Se não tem namorado, não é casada, não é enrolada nem tico-tico no fubá, não custa levar uma camisinha na bolsa (depois disso ainda vai se preocupar com que os outros vão falar?), porque nunca se sabe o que pode acontecer no desenrolar do dia.

A verdade, amiga burralda, é que se você não quer ver o resultado dentro de 9 meses, nem ter surpresa quanto a sua saúde, já que nenhum homem vem acompanhado de atestado médico, melhor não arriscar e passar a adotar a camisinha em suas relações (amorosas ou não!), porque a gente até admite que nossas orelhas nos confere um charme especial, mas a ignorância é mesmo abominável. E pode custar muito caro. Ou a sua vida não vale nada?

(Eu sei que se conselho fosse bom ninguém dava, mas se quiser eu posso passar a cobrar!)

Para aderir à campanha Atitude Contra a AIDS do Ministério da Saúde:

Aplicativo no Facebook

Comunidade no Orkut

Ministério da Saúde no Twitter

Amiga? Da Onça!

Amiga? Da Onça!

Foi a minha amiguinha que me apresentou o dito-cujo e, mais tarde, deu meu telefone para ele – mesmo sem perguntar se poderia. Só que isso não tinha mesmo a menor importância já que eu tinha gostado dele desde o dia que o vi. Ele ligou, eu não sabia se aceitava um convite para sair ou não, mandou um e-mail e, como burralda que sou, uma hora acabei aceitando.

A partir daí tudo começou a mudar. O encontro foi bem divertido, descobrimos algumas coisas em comum e passamos a ser companhia constante um do outro. Em pouco tempo, ainda que eu tivesse relutado um pouco, ele já conhecia minha família, já tínhamos viajado juntos, conversávamos todos os dias e fazíamos planos. Tudo ia às mil maravilhas, eu tinha conhecido um homem que gosta de filme infantil, torce para mesma escola de samba e time de futebol que eu, lê filosofia e antropologia e, ainda por cima, liga no dia seguinte.

Amiguinha, se achando A cupido, sentia-se no direito de perguntar como iam as coisas, me chamava para conversar e, ainda que eu respondesse a tudo vagamente, não se fazia de rogada e ficava dando opiniões sobre relacionamento amoroso. Volta e meia vinha com aquele papo chatinho de que seria a madrinha de casamento, quando casar nunca havia sido tema de conversa entre nós. O povo se mete, né?  Como se não bastasse, perguntava para o dito-cujo as mesmas coisas que perguntava para mim.

Pois bem: eu sou burra, mas não sou otária. E, quem me conhece sabe bem, eu não gosto de falar de mim. Parei de contar qualquer coisa e, se antes eu respondia vagamente, passei a não responder coisa alguma. Mudava de assunto, respondia outra coisa e assim foi até o dia em que ela não se agüentou e me chamou “para conversar”. Não sei onde estava com a cabeça para aceitar.

Durante a tal conversa, a amiguinha começou a colocar caraminholas na minha cabeça, dizendo que dito-cujo que devia ter uma mulher em cada porto, que homem é tudo safado, que eu não devia me apegar, que deveria ter cuidado e não me envolver, que tinha que definir o relacionamento. Foi nessa hora que eu não me contive: quem era ela para dizer o que EU deveria fazer? Ouvi a tudo calada, mas respondi, já de forma grosseira, que o que a gente tinha pertencia a nós e que ela não precisava se meter. Paciência tem limite.

É claro que fiquei revoltada e desconfiada. Se ela o conhecia, falava com ele e me apresentou, podia ter um motivo para vir com essa conversinha. Ele podia ter ficado com alguém, podia ter dito que não queria nada sério comigo, podia ter confidenciado alguma coisa. Pensar nisso me deixava ainda com mais raiva. DELA. Porque, se sabia, por que não falou? E, se não quer falar, por que ficar colocando pulga atrás da minha orelha?

Se agi certo ou errado não sei, mas à noite contei tudo para o dito-cujo. Não dava para ficar engasgada alimentando meu câncer, nem fingir que estava achando tudo muito normal. Compartilhar isso com ele, de certa forma, me acalmou. Podia até ser que minha burrice estava mais aflorada do que em outras épocas, mas eu acreditava nele. Havia decidido que se tivesse que fazer papel de burra nesta história, que fosse por minha própria conta.

Tempos depois dito-cujo falou que a amiguinha veio, toda-toda e sem ser chamada, dizer que ele era jovem, que precisava conhecer outras mulheres e não deveria começar um novo relacionamento agora, tinha que se permitir aproveitar mais a vida (será que nessa hora ela apontou para si mesma?!).  Eu mereço! Logo ela, que já queria ser até madrinha de casamento, estava semeando a discórdia – de um lado e do outro.

O problema é que de amiga da onça o mundo está cheio. Vai ver aquela uma que está se convidando para ser madrinha do seu casamento, que pergunta como estão os pombinhos e diz palavras cuti-cuti sobre o casalzinho é a mesma que afirma, quando você não está perto, claro, que ele deve aproveitar mais  a vida. Só que essa parte o seu dito-cujo ainda não lhe contou.