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A música faz a alma dançar

A música faz a alma dançar

Minha vida não tem trilha sonora. Não associo músicas a pessoas nem a lugares ou situações.  Não sei cantar e nem tocar instrumento algum. Mas, ainda assim, não vivo sem música. Gosto de várias, muitas, todo dia. Dos mais diversos ritmos. Não consigo imaginar a vida sem ela e tenho para mim que todas as pessoas felizes ouvem música. Para dançar, para cantar, para chorar, para pensar, para expurgar más energias, para celebrar. A música faz parte da vida. Porque música faz a alma dançar.

(Qual é o seu ritmo hoje?)

A “orkutização” do Instagram

A “orkutização” do Instagram

Esta semana várias pessoas se mostraram insatisfeitas com o instagram. Primeiro porque ele ganhou uma versão para android e, logo depois, porque foi vendido para o facebook. Na minha cabeça qualquer celular com acesso a internet tinha instagram. Só descobri que era exclusividade nossa, donos de iphone, depois de ler uma enxurrada reclamações sobre a popularização do aplicativo. Diferente deles, eu achei bom. Se um dia eu quiser mudar para android posso continuar compartilhando minhas fotos.

Confesso que ri muito quando afirmaram que haveria “orkutização” do serviço. Não é de hoje que muitos utilizam o termo quando se referem a tudo aquilo que consideram negativo nas redes sociais: spams, correntes, fotos inadequadas, piadas sem graça, conteúdo pornográfico ou violento, pedido de dinheiro e coisas do gênero – e associam esses conteúdos à quantidade de pessoas que passaram a utilizar tais redes sociais. Ou seja, na cabeça de muita gente algo só é bom quando é para poucos. Ou até o dia em que é para poucos.

Quando entrei no facebook, em 2009, não tinha absolutamente ninguém lá. Ninguém que eu conhecesse, obviamente. Falei sozinha algumas vezes, publiquei fotos e deletei meu perfil meses depois, porque não tinha a menor graça fazer parte de uma rede em que eu não conhecesse ninguém. Hoje muita gente está reclamando que no facebook há gente demais. Já li até que tem brasileiro demais! Ou seja, agora não presta mais.

É bem verdade que muitas pessoas não sabem utilizar as redes sociais e têm comportamento inadequado. Num mundo em que praticamente não existe mais limite entre vida real e virtual, muitos pecam pela falta de bom senso e até mesmo educação. Nem todo mundo que tem um computador, ou um computador com acesso à internet, está incluído digitalmente. A internet exige outros códigos. Mas é vida é assim: nem todo mundo que é alfabetizado sabe ler, não é verdade? Uns demoram mais para aprender e, infelizmente, outros não aprendem nunca.

Toda essa polêmica em torno do instagram serviu para mostrar que, para muitas pessoas, nem tudo é direito de todos, nem todo mundo pode ter acesso a tudo. Mostrou que parte da sociedade concorda que só alguns privilegiados podem usufruir determinados serviços. Se pensam assim sobre um simples (embora genial) aplicativo de compartilhamento de fotos, provavelmente pensam assim sobre coisas mais substanciais e isso, de alguma maneira, me preocupa.

Que trazes pra mim?

Que trazes pra mim?

Meus pais não me fizeram acreditar em coelhinho da Páscoa, nem em Papai Noel ou qualquer outro personagem do gênero. Em datas comemorativas eu e minha irmã não só escolhíamos o que queríamos como íamos junto com meus pais para comprá-los. Fomos educadas a respeitar os coleguinhas que acreditavam e participávamos das festividades da escola como eles. Sabíamos que eram pessoas vestidas de personagens, mas não tínhamos o direito de desfazer as ilusões dos outros. Tudo transparente, sem segredos e sem traumas.

Cresci, tive filho e fiz tudo diferente. Ou pelo menos neste aspecto. O Lucas escreveu cartinha para Papai Noel e colocou cenoura na janela esperando ovos de chocolate. Hoje tenho uma enteada que acredita em tudo isso também e nos dias que antecederam o domingo de Páscoa, lancei mão de todas as frases possíveis e imagináveis em momentos de desobediência: “Sabia que o Coelhinho da Páscoa está vendo tudo?”, “Comporte-se, meu amor, assim o Coelho fica triste e não passa aqui em casa.”, “Ih, se não tomar banho o coelhinho pode te confundir com um porquinho. Porquinho não ganha presente de Páscoa.”

Numa dessas vezes, meu filho, hoje adolescente, ouviu e perguntou: “Mãe, como você consegue falar uma coisa dessas sem rir?” Rindo muito, relembrou das coisas que eu falava, principalmente sobre Papai Noel. Como todo jovem da sua idade, ele acha todos esses personagens ridículos e todas essas invencionices uma bobagem. Afirmou, inclusive, que não vai fazer nada disso com o seu filho. Deduzo, então, que meu neto irá escolher seus próprios ovos de chocolate e  presentes de Natal. Tal como eu e minha irmã.

Conclusão da história: a vida é cíclica.

Danuza Leão – É tudo tão simples

Danuza Leão – É tudo tão simples

Adquiri uma nova mania: ler vários livros ao mesmo tempo, cada um sobre um tema. Para ter uma ideia, estou lendo Adam Pillips, Clay Shirky e Gabriel Chalita, passando por Danuza Leão. Aliás, é sobre ela que quero falar. Sou fã.

A primeira coisa que faço ao comprar a revista Cláudia é ler sua coluna. Já li todos os livros dela. Nunca tive coragem de comprar nenhum. O que eu faria com livros de etiqueta? Pois bem, resolvi comprar este último. E estou adorando! A leitura é leve e divertida e as páginas desenhadas e coloridas, um charme.

O livro fala, sim, de boas maneiras, mas explica que regras existem para facilitar a vida em sociedade, não para aprisionar as pessoas. Se não gosta de receber pessoas, não receba. Se não quer ir a determinado lugar, não vá. Se não sabe cozinhar, não se aventure a oferecer jantares.

Pode soar antipático, mas ela está errada? Precisamos ser sinceros. De que vale mentir, inventar situações e desculpas? A vida pode ser mais simples. Podemos ter menos coisas, podemos falar quando não sabemos, podemos dizer não. Podemos não agradar a todo mundo, mas não podemos desagradar a nós mesmos.

Ainda não terminei a leitura do livro, mas recomendo. Se não servir para aprender alguma coisa, serve para dar boas gargalhadas. Precisa mais?